N-1 : assombrações em performance
Posted: August 9th, 2009 | Author: Vivian Caccuri | Filed under: crítica de arte, música experimental, novas mídias, performance, sound-art | No Comments »
N-1: Giuliano Obici e Alexandre Fenerich
Texto crítico escrito para o lançamento do CD “Jardim das Gambiarras Chinesas” no MIS-SP em Agosto de 2009.
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Me apoiar em antigas definições do que é “música experimental” para descrever o trabalho do duo N-1, não vai me ajudar em nada. Aliás, pensar em N-1 como um fenômeno puramente musical é um erro ainda maior para o que quero dizer. Gostaria de pensar o N-1 como espécime de uma nova geração de artistas que já tiveram a maior parte de sua juventude e formação positivamente contaminada pelas tecnologias e pelos meios de comunicação digital. Para a “Generation Y” ou “iGeneration”, a tecnologia não é um alienígena ao qual pouco a pouco vamos nos acostumando. Para essa geração (da qual também faço parte) a tecnologia já é algo natural, para não dizer óbvio.
Essa relação – por que não dizer – íntima com a tecnologia, permite que Giuliano Obici e Alexandre Fenerich desenvolvam uma postura artística diferenciada e um distanciamento crítico necessário para se criar uma arqueologia semi-nonsense de objetos de consumo. Com essa postura, eles manipulam relações conceituais entre coisas e sonoridades, sempre na busca de construir pontes temporárias, mutáveis e fragmentadas entre o mundo das coisas plásticas e o mundo dos estranhamento sonoros. Sem apegos, sem teses.
Na composição dessas relações interessantes e engraçadas, N-1 comporta-se quase como uma assombração – ou melhor – uma espécie de Exu. Esse espírito criativo sai por aí, possuindo seus semi-instrumentos musicais, incorporando seus discos de vinil decorados com brinquedos, animando suas latas de leite em pó histéricas e concretizando-se como simpáticas microfonias que rondam suas performances como para dizer “eu existo aqui e agora, mas talvez não depois”.


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